Disfagia em idosos: quais os sintomas e como é feito o tratamento?

Disfagia em idosos

A saúde das pessoas com 60 anos ou mais precisa ser encarada com atenção e seriedade. A disfagia, ou dificuldade para engolir, é um problema que pode impactar significativamente a qualidade de vida das pessoas idosas, podendo gerar complicações como perda excessiva de peso e até mesmo quadros de pneumonia ou asfixia em casos mais graves devido às dificuldades em se alimentar.

Neste texto, discutiremos sobre a disfagia em idosos, explorando seus sintomas, origens, momentos de preocupação e as abordagens no tratamento. Manter-se atualizado sobre esse tema é essencial para preservar o bem-estar, tanto o seu quanto o das pessoas ao seu redor.

O que é a disfagia em idosos?

A dificuldade de deglutição, conhecida como disfagia, manifesta-se por meio do engasgo ao ingerir alimentos ou sensação de alimento parado na garganta, alteração de voz e mudança na consistência alimentar.

No contexto das pessoas idosas, a disfagia frequentemente está associada a condições neurodegenerativas, como demências, sequelas de eventos neurológicos agudos (como acidente vascular encefálico ou traumatismo cranioencefálico), alterações respiratórias (ronco, apneia obstrutiva do sono, doença pulmonar obstrutiva crônica), obstruções (como câncer de garganta ou esôfago) ou, essencialmente, à fragilidade muscular e redução da percepção de olfato e paladar decorrente do envelhecimento, sem necessariamente ser vinculada a uma patologia específica.

Medicamentos também podem exercer influência na disfagia, uma vez que seus efeitos adversos podem afetar o sistema nervoso e muscular das pessoas com 60 anos ou mais. O mecanismo subjacente à disfagia é complexo, envolvendo comprometimento muscular, respiratório e/ou neurológico.

A manifestação da disfagia pode variar de acordo com a consistência alimentar, seja sólida, líquida ou pastosa. Em situações mais graves, a dificuldade de deglutição abrange todos os tipos de alimentos ou até mesmo a saliva.

É importante destacar que o diagnóstico de disfagia não implica necessariamente em ameaça à alimentação oral, mas sim na necessidade de uma avaliação detalhada das condições de saúde, do grau de fragilidade, da cognição, das medicações em uso e da influência social e psicológica durante a alimentação. Essa avaliação é realizada de forma sequencial e deve envolver uma equipe multiprofissional, envolvendo o fonoaudiólogo, nutricionista e geriatra.

Sintomas da disfagia em idosos

Sintomas da disfagia em idosos

  • Tosse durante ou após comer: pode indicar que alimentos sólidos ou líquidos estão indo para as vias respiratórias em vez do sistema digestivo.
  • Engasgos frequentes: dificuldade em coordenar a deglutição, resultando em engasgos frequentes durante as refeições.
  • Dificuldade em iniciar a deglutição: dificuldade em iniciar o movimento de engolir, muitas vezes percebida como hesitação ao começar a comer.
  • Sensação de comida presa na garganta: pode indicar um bloqueio ou estreitamento no trajeto da deglutição ou fraqueza na propulsão do alimento pela língua.
  • Regurgitação nasal: ocorre quando alimentos ou líquidos retornam pelo nariz ao deglutir.
  • Rouquidão após comer: pode indicar que os alimentos estão entrando nas vias aéreas, causando mudança na voz.
  • Cansaço durante as refeições: a fraqueza muscular pode tornar a alimentação uma tarefa exaustiva, levando a uma fadiga notável durante e após as refeições.

O que causa a disfagia em idosos?

A disfagia em idosos pode ter origem em diversos fatores. O envelhecimento natural desencadeia mudanças nos músculos e tecidos ao longo dos anos, influenciando a deglutição. Condições respiratórias, como Apneia Obstrutiva do sono, e neurológicas, como Alzheimer, Parkinson e AVC, também podem impactar na deglutição dos alimentos, inclusive ocasionar quadro de broncoaspiração silenciosa, em que o alimento vai para o pulmão sem apresentar manifestações de tosse ou engasgo.

Outros fatores estão associados a doenças do esôfago, como esofagite, estenose ou tumores, que podem resultar em obstrução e dificuldade na passagem dos alimentos. Além disso, alguns medicamentos têm potencial para causar efeitos colaterais, como por exemplo a boca seca, o que contribui para o desenvolvimento da disfagia.

Quando a disfagia é preocupante?

A preocupação com a disfagia surge quando sinais de alerta indicam a necessidade imediata de cuidados médicos. A dificuldade em ingerir alimentos, resultando em perda significativa de peso, pode levar à desnutrição. A recusa persistente de alimentos, motivada pela dificuldade, tem o potencial de agravar problemas de saúde.

A entrada frequente de alimentos nas vias respiratórias, conhecida como broncoaspiração, pode ocasionar problemas respiratórios sérios. Contudo, a dificuldade recorrente em ingerir líquidos pode levar à desidratação, enquanto a broncoaspiração de alimentos aumenta o risco de pneumonia, resultando em infecções pulmonares frequentes. Esses são indicativos que demandam atenção imediata no contexto da disfagia.

Como é o tratamento para disfagia em idosos?

Como é o tratamento para disfagia em idosos?

O tratamento é personalizado e pode abranger diferentes abordagens. Inicialmente, há uma avaliação médica para identificar as causas subjacentes. Em alguns casos, o uso de medicamentos pode ser recomendado para reduzir a inflamação ou aprimorar a função esofágica.

O fonoaudiólogo avalia e diagnostica a disfagia e sua gravidade. Com isso, são prescritos exercícios de deglutição, visando melhorar a sensibilidade e fortalecer os músculos envolvidos nesse processo, e são implementadas modificações na dieta, consistindo em alterações na textura dos alimentos e líquidos para facilitar o processo de deglutição, levando em consideração o tipo de disfagia.

Para situações mais complexas, procedimentos médicos podem ser necessários, incluindo a dilatação do esôfago ou até mesmo intervenções cirúrgicas. O tratamento, portanto, é adaptado às necessidades específicas de cada paciente, proporcionando uma abordagem abrangente para lidar com a disfagia em idosos.

Conclusão

A disfagia em idosos é uma condição que merece atenção, mas com intervenções adequadas, é possível melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações. Se você notar que está com algum dos sintomas ou observar sinais de disfagia em pessoas próximas a você, procure orientação médica para iniciar o diagnóstico e tratamento adequado o mais rápido possível.

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Referências:

Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. O que é disfagia? Veja quais são os sintomas, causas e tratamentos. Disponível em: https://vidasaudavel.einstein.br/disfagia/. Acesso em: 08/12/2023.Conselho Federal de Fonoaudiologia e Ministério da Saúde. Você pode estar diante de uma disfagia. Disponível em: https://fonoaudiologia.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Disfagia.pdf. Acesso em: 08/12/2023.

Texto revisado por: Fabiane Couto Garcia
Fonoaudióloga, Especialista em Disfagia e Doutora em Neurociências pela Universidade de São Paulo USP-SP, membro da sociedade europeia de disfagia ESSD e academia brasileira de disfagia.
Fundadora da Adapt-Alimentação Adaptada

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